1. A HOTELARIA NACIONAL CONHECEU, EM 2005, MAIS UM ANO
de frustração e adiamento dos êxitos a que se julga com direito,
esperando, agora, que o novo ano lhe traga os progressos de que
carece para a sua plena realização económica e social.
Nisto, aliás, a hotelaria não foi diferente daquilo que se passou
e passa no nosso país do qual é, afinal, normal emanação, com o
mercado nacional a confirmar que não precisa de tempos economicamente
difíceis em Portugal e no mundo para acusar as sérias
limitações de que enferma.
Na verdade, sem a melhoria sensível da economia e do poder
de compra dos portugueses, e o acréscimo de confiança que só
ela poderá dar às empresas e indivíduos em geral nunca os nossos
hotéis poderão contar com um mercado nacional que lhes dê a estabilidade de que os
seus parceiros na maioria dos países europeus beneficiam, graças a uma procura local capaz
de assegurar uma razoável ocupação, mesmo nas circunstâncias mais adversas.
Daí que a hotelaria do nosso país dependa excessivamente da procura turística estrangeira,
e se é verdade que nos destinos mais relevantes do território nacional ela se manifesta
com maior ou menor importância nas épocas tradicionais, zonas há de Portugal onde os turistas
internacionais são, quase, acidentais e, em qualquer caso, largamente insuficientes
para garantir um mínimo de prosperidade.
É por isso, e por nenhuma outra razão imputável aos hotéis portugueses ou aos seus gestores,
que o negócio hoteleiro em Portugal deixa muito a desejar.
2. A Associação dos Directores de Hotéis de Portugal tem-se esforçado ao longo do tempo
por criar as condições de imagem e credibilidade dos gestores hoteleiros portugueses que
lhes permitam ombrear, sem inibições ou desvantagem indevida, com os seus parceiros estrangeiros
que aportam a Portugal para o exercício dos cargos de direcção nalguns dos principais
hotéis existentes no nosso país.
Este é, porém, um fenómeno contra o qual é difícil lutar e vencer, no caso das cadeias hoteleiras
internacionais estabelecidas em Portugal. É que estas têm como política confiar a
gestão de que são responsáveis a quadros longamente firmados ao seu serviço, e nessa
medida os directores hoteleiros portugueses sem currículo internacional são pouco considerados.
Tanto bastará dizer para que se reconheça que não está em causa a capacidade de muitos
destes para assumir a direcção hoteleira ao nível exigível pela gestão moderna e qualificada
dos nossos melhores hotéis.
Se dúvidas houvesse, bastaria atentar no desempenho dos nossos principais hotéis dirigidos
por portugueses em confronto com os seus parceiros nacionais geridos por directores
estrangeiros para realizar esta verdade axiomática: nos tempos de abundância, o êxito é geral;
nas épocas de vacas magras, a crise atinge a todos e trata sem perdão os gestores mais
pintados. Portugueses ou não.
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Manuel Ai Quintas |
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