GESTÃO HOTELEIRA HOSPITALAR
A IMPORTÂNCIA E ESTRATÉGIA DA GESTÃO TÉCNICA HOSPITALAR. ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE O MODUS OPERANDI PEDAGÓGICO.
1. Importância e estratégia da gestão técnica hospitalar.
Enunciemos os pontos fortes da integração de técnicos hoteleiros
nas unidades de saúde:
a) Para a ADHP e outras associações de classe da indústria hoteleira,
constitui-se como um forte potencial em saídas profissionais
para especialistas em diversas áreas hoteleiras como:
. Alojamento / “Front-Office”
. Alojamento / “Housekeeping”
. Lavandaria / Rouparia
. Restauração
. Manutenção
. Controlo de custos
Neste item podemos considerar que esse potencial se alargará
às escolas hoteleiras, como fonte de recrutamento qualificada;
b) Para as unidades de saúde (nomeadamente os hospitais),
essa integração de técnicos hoteleiros maximizará a qualidade
dos serviços, obtendo maior profissionalização nas áreas de:
• Atendimento e comunicação com doentes e familiares;
• Reservas/atribuição de camas hospitalares (em interdependência
funcional com serviços clínicos);
• Organização e gestão de comidas e bebidas (como alternativa
de exploração directa dessa área);
• Organização dos serviços da lavandaria e rouparia;
• Manutenção e gestão de equipamentos;
• Controlo de custos.
c) Em termos de estratégia, é urgente promover encontros entre
a ADHP e as tutelas dos hospitais, continuando a desenvolver
esforços já encetados no passado quando foram efectuadas várias
diligências e uma reunião com um dos Ministérios da tutela.
Oportunamente, deve ser apresentada uma proposta / aconselhamento
para a criação da figura de director técnico nas estruturas
hospitalares, em linha horizontal com o director clínico,
ambos reportando ao administrador hospitalar.
O “conhecimento activo” do director técnico, proveniente da sua
experiência de director de hotel, potenciará um desempenho
eficiente na organização e gestão dos serviços em todas as
áreas da unidade de saúde, exceptuando os da área clínica, com
a qual estabelecerá uma interdependência funcional, interagindo
com o director clínico do estabelecimento.
Entretanto, a iniciativa de promover cursos, quer sejam de pós-graduação ou de especialização tecnológica, em instituições de
ensino superior (sejam politécnicos ou universidades), desenvolvendo
a capacidade dos participantes no sentido de desempenharem
funções de responsabilidade em unidades de saúde
não resultará se, previamente, não existirem garantias para a integração
desses profissionais na estrutura dessas unidades.
Por isso, é urgente sensibilizar os orgãos da tutela hospitalar em
abrir essa via, pela grande vantagem que tal medida representará
para a melhoria da qualidade dos serviços hospitalares.
2. Reflexões sobre o modus operandi pedagógico.
Os cursos de pós-graduação ou os de especialização tecnológica
(com inscritos não licenciados, mas com alguma experiência
profissional) devem ser promovidos por entidades pedagógicas
credenciadas, não devendo estas limitarem-se a utilizar um corpo
docente excessivamente académico/teórico.
Deverá, sem dúvida, proceder-se a um “casting” proactivo, seleccionando
professores/comunicadores que, a par dos da raiz
académica,tenham a experiência profissional para facultar e
desenvolver uma razoáve componente teórico/prática, para
benefício dos participantes dos cursos supracitados.
Todos devemos saber que se devem privilegiar conteúdos
programáticos com uma carga prática relevante e superior à
que tem sido “fornecida” pelas instituições de ensino superior;
e isto somente será conseguido com um elenco (pelo
menos parte considerável dele) de professores mais virados
para a realidade do mundo empresarial, habilitados em facultar
aos seus alunos ou formandos um conhecimento
actualizado e aplicar os métodos pedagógicos modernos.
O nosso país, as nossas empresas, os nossos hospitais, precisam
que os nossos jovens comecem a trabalhar dotados de
maior capacidade de ajustamento ao mundo real, com saberes
mais assentes na realidade prática, mais capazes de resolverem
problemas com eficiência, mais sustentado, com o
“software” mental repleto de aplicações úteis e bem arrumadas.
Precisamos de mestrados e doutores que transmitam as bases
científicas mas também necessitamos de professores/profissionais (mesmo que sejam “somente” licenciados)
que ajudem os alunos a terem um “armazém” intelectual
eclético, funcional e mais pragmático, aliado a uma inteligência
adaptativa e imaginação características do povo português,
para enfrentar a tormenta da crise económica (e também
psicológica...).
E se a crise e seus fantasmas forem, em grande parte, causados
por haver incompetência nas chefias e/ou na liderança
empresarial ? Não terá o ensino superior parte da responsabilidade
nisto, preparando mal os futuros quadros para o mundo
empresarial? Para quando conteúdos programáticos efectivamente
úteis, para além dos que proporcionem suporte
científico? Por outro lado, recomenda-se um aperfeiçoamento
em técnicas de comunicação, beneficiando alguns docentes
que tenham dificuldades comunicacionais, que não consigam
motivar a “escuta activa” nos seus alunos.
Alguém dizia: “... ensinar é ridículo - fazer aprender é maravilhoso”!
Finalmente, conforme artigo publicado na Dirhotel, há que conseguir
a desejada transferência da “ filosofia de ensino “ para
uma frutuosa “ filosofia da aprendizagem “ tendo afirmado o
mesmo articulista (cuja capacidade intelectual é altamente reconhecida)
que “... a formação profissionalizante deve privilegiar
uma directa articulação da escola com as empresas.
Fico satisfeito, pois assim, tudo o que afirmo atrás faz sentido,
lançando desde já o desafio de assegurarmos todos, finalmente,
esse desiderato, passando a eleger os eficazes emissores/comunicadores da aprendizagem em moldes ajustados à
estratégia descrita, garantindo que esses positivos “comunicadores
do saber” consigam “entrar” eficazmente nos receptores,
evitando uma oratória fastidiosa e desinteressante!
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CARLOS NEVES
(director de hotel e docente universitário)
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