NOEL DIAS - PRESIDENTE DA DIRECÇÃO DA ADHP
QUANTO VALE A LEALDADE DE
UM CLIENTE A UM HOTEL?
CUSTOMER LIFE TIME VALUE (CLV)
Com os clientes focados na localização e custo das suas estadas,
a sua fidelização aos hotéis é crucial, pois é a única maneira
de competir com a concorrência sem sacrificar receitas.
A Internet veio alterar a forma como o alojamento é negociado
na Indústria Hoteleira. Calcula-se que globalmente em
2005, mais de 21% de todas as receitas para a Hotelaria foram
geradas pela Net, e que, em 2006 passarão a 27%, ultrapassando
pela primeira vez as reservas por GDS.
A pergunta que surge, é como num cenário destes, é possível
fidelizar os clientes?
O Dr. Noriaki Kano, especialista mundial em qualidade, aponta
num dos seus estudos, que os clientes num hotel medem o
valor da sua estada em três dimensões diferentes: (1) básica,
(2) esperada e (3) inesperada. Os aspectos básicos serão os
aspectos fundamentais, relacionados com o serviço e o produto
que está a pagar. No nível superior (dimensão esperada)
são as coisas que o cliente está habituado a receber, ex.:
roupão, jornal pela manhã, etc. E conclui o Dr. Kano no seu
modelo, só na dimensão do valor inesperado o hoteleiro consegue
construir com os seus clientes uma fidelização satisfatória,
isto é, quando o hotel consegue um nível tal de
serviço e qualidade que surpreende o próprio cliente.
O que faz então um cliente ser leal e manter uma continuada
tendência de ficar sempre no mesmo hotel?
Não é certamente a criação de um programa de fidelização.
Na realidade hoje em dia, quase todos os hotéis têm um.
Um aspecto novo que cada vez mais se acentua é o facto de
que a fidelização e a retenção de clientes começar hoje “online”
e esta, é tão importante na Web como no próprio hotel.
Um artigo do International Journal of Research in Marketing
em Junho de 2003, avalia exemplos de clientes on-line e offline
na I.H. e conclui que a média on-line aumenta a média de
fidelidade a um hotel específico, isto é, os clientes satisfeitos
tendencialmente escolherão o mesmo hotel no futuro usando
a facilidade “Favoritos”. Outra conclusão do mesmo estudo, é
que lealdade e satisfação do cliente se reforçam positivamente,
e tal reforço é ainda mais forte on-line.
Dito isto e voltando à pergunta que titula o nosso artigo,
procuraremos abordá-lo de uma maneira mais elementar que
possa simplificar o tema.
A parte mais difícil para calcular o CVL é calcular qual é o
período de tempo que dura a lealdade de um cliente, e a única
forma de o fazer com alguma precisão, é obter, guardar e analisar
a informação histórica que possui, o que não é difícil para
qualquer sistema informatizado.
Os passos seguintes para calcular o CVL deverão ser:
1. O tempo médio de estada por cliente;
2. O número médio de estadas que o cliente terá durante
aquele período;
3. O consumo médio por estada;
4. Multiplique estes valores entre si e obtém-se o CVL.
Exemplo: (1) supondo que o tempo médio de estada é igual a
3,2 dias, (2) que o número médio de estadas por ano é igual
a 6,7, o consumo médio por estadia é igual a €266, então teremos
(4) CVL = 3,2 x 6,7 x 266 = € 5.703.
Uma vez estabelecido, este número pode funcionar como
benchmark para comparação com a concorrência e para
desenvolver no orçamento uma campanha custeada de fidelização,
tendo já como conhecimento para o efeito de quanto
vale realmente um cliente habitual.
O conhecimento do valor do CLV permite também estabelecer
novos objectivos valorados como: (a) aumentar o número de
Clientes habituais, (2) aumentar a receita média por estada,
(3) aumentar o valor do CLV, etc.
Este é um exemplo simples e simplista de calcular o CLV. Deve-
se ter cuidado com o universo que se estabelece para a
contagem dos clientes habituais, e o que se considera que seja
um cliente habitual (Ex.: numero mínimo de dias por estada
e numero mínimo de estadas).
Mas ele demonstra a importância de compreender o valor das
estadas longas e a fidelidade dos clientes, no que toca a receitas
e a poupança de custos associados às vendas que são evitados.
Com esta informação os hotéis podem, mais inteligentemente
e com maior prudência, oferecer níveis diferenciados de serviço
na proporção do que recebem de cada cliente habitual.
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NOEL DIAS
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