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MANUEL CANSADO, PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA SATA - O VOO DOS AÇORES

«(...) A SATA INTERNACIONAL É MAIS UM INSTRUMENTO QUE CONCORRE PARA COLOCAR OS AÇORES NA ROTA DOS GRANDES DESTINOS [TURÍSTICOS] DA EUROPA» - DIZ O SEU RESPONSÁVEL MÁXIMO, QUE ASSUME ESTA MISSÃO.

«É a unir o que o mar separa que a sata, á mais de sessenta anos, vem assumindo a sua missão com alma e paixão, ambicionando tocar cada canto do mundo com aquilo que tem de mais especial: a sua personalidade açoriana». É com esta afirmação de Manuel Cansado que a SATA - Air Açores, Sociedade Açoriana de Transportes Aéreos, é apresentada no seu site. Enquanto presidente do Conselho de Administração, Manuel Cansado está ciente da grande responsabilidade que cabe à companhia aérea açoriana na ligação das Ilhas, não só entre si mas também ao Continente e a todas as partes do mundo. O transporte aéreo é um serviço vital para o bem-estar das populações insulares sem o qual estariam isoladas, desintegradas e privadas de se desenvolverem economicamente. Entre as actividades económicas açorianas que dependem do transporte aéreo estão aquelas ligadas, directa ou indirectamente, ao Turismo, cuja importância para a economia regional tem vindo a crescer.

«FRANKFURT, MADRID, LONDRES, BOSTON, TORONTO, MONTREAL E PROVIDENCE» (...) «PARA ALÉM DESTAS ROTAS REGULARES DESENVOLVEMOS UMA INTENSA ACTIVIDADE CHARTER ENTRE O FUNCHAL E A EUROPA DO NORTE, ENTRE LISBOA E A REPÚBLICA DOMINICANA»

Duarte Ponte, secretário regional da Economia dos Açores, afirmava em entrevista à Dirhotel nº 54 que a criação de ligações aéreas directas entre os Açores e os principais emissores de turismo tem vindo a ser uma das principais estratégias adoptadas pelos diversos governos regionais desde 1996. Manuel Cansado confirma, referindo-se ao caso concreto da SATA: «desde o ano 2000, não temos cessado de acrescentar ligações directas para destinos que representam hoje importantes mercados emissores de turistas para a Região Autónoma dos Açores». Assim, «a SATA Internacional, enquanto transportadora aérea açoriana, tem sido o espelho desta estratégia».
As rotas aéreas exploradas pela SATA dividem-se, essencialmente, entre “serviço público” e “serviço turístico”. Neste segundo grupo, a aposta incide, segundo o presidente da SATA, nos «mercados que possam vir a ser importantes na afirmação do Arquipélago como destino turístico». Manuel Cansado dános conta das (já) muitas ligações directas que se realizam na época alta, no Verão entre a cidade de Ponta Delgada e múltiplos destinos: «Frankfurt, Madrid, Londres, Boston, Toronto, Montreal e Providence». Acrescenta que «contamos ainda com ligações regulares e ao longo de todo o ano entre Zurique e Funchal ». E completa dizendo que, «para além destas rotas regulares desenvolvemos uma intensa actividade charter entre o Funchal e a Europa do Norte, entre Lisboa e a República Dominicana ». Outras rotas, estas regulares e diárias, maioritariamente utilizadas por residentes nos Açores, fazem a ligação entre diversos pontos dos Açores e Lisboa.

OS AÇORES TÊM DEMONSTRADO NOS ÚLTIMOS TEMPOS UM GRANDE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO. «DIRIA QUE A SATA INTERNACIONAL TEM SIDO UMA PEÇA FUNDAMENTAL NESTE DESENVOLVIMENTO»

A Região Autónoma tem demonstrado nos últimos tempos um grande desenvolvimento turístico. «Diria que a SATA Internacional tem sido uma peça fundamental neste desenvolvimento », diz, convicto, Manuel Cansado, confiante no futuro: «Estamos preparados para acompanhar esta tendência, embora tenhamos consciência de que para manter uma operação regular com uma oferta de lugares suficiente, será necessário um esforço suplementar no combate à sazonalidade, e na procura de um novo perfil de cliente». Um trabalho que, garante, «não se esgota na oferta de mais ligações aéreas».
Embora a SATA acumule a experiência correspondente a sessenta anos de voos inter-ilhas, no mercado da aviação comercial tem apenas dez – o tempo suficiente para já ter a capacidade de proceder às escolhas mais acertadas e convenientes de novas rotas. Neste sentido, o presidente da SATA diz que «o balanço feito ao longo dos últimos anos não nos deixa dúvidas quanto ao potencial de crescimento dos mercados em que apostamos». A confirmação chega da parte dos operadores. «Temos consciência que a perseverança e o bom nível de serviço prestado têm sido o garante de um capital de confiança que hoje já faz toda a diferença», acrescenta o responsável, justificando que as escolhas de novos destinos são sempre suportadas
por cuidadosas análises de mercado.

Confrontado com as conclusões de um estudo realizado recentemente, e que dá conta de serem os custos de transporte a constituírem a principal parcela na determinação do custo final da viagem turística (independentemente do mercado emissor ou da cidade de destino) - o que, naturalmente, influencia a escolha do destino para viajar - o presidente da SATA admite e compreende que assim seja. «O transporte aéreo é uma indústria singular. Fazer descolar e aterrar uma aeronave é uma operação cara – e é cara para todas as companhias aéreas. O combustível, a manutenção, a formação, os seguros, as taxas aeroportuárias, não são opções comerciais, mas antes custos operacionais inevitáveis. Logo, não me espanta que com custos operacionais crescentes e fixos, a passagem aérea constitua no final, uma enorme fatia no pacote turístico».
A questão da necessidade de reduzir custos é uma constante para qualquer empresa, pública ou privada. Com esse objectivo, recorre-se a estratégias que permitam aproveitar sinergias e ganhos de escala. Foram estas as razões que levaram a que, recentemente, a SATA se tivesse constituído em Sociedade de Gestão de Participações Sociais (SGPS), englobando quatro empresas: a SATA Air Açores (linha regional), a SATA Internacional (voos para o Continente e Europa), a AzoresExpress e a SataExpress (ligações aos Estados Unidos e Canadá). Deste modo, pretende-se alcançar, segundo o próprio presidente da SATA, «maior autonomia por parte de cada empresa, maior responsabilização pelos desempenhos, maior simplicidade de processos e uma redução significativa de custos de estrutura».

«TEMOS CONSCIÊNCIA QUE A PERSEVERANÇA E O BOM NÍVEL DE SERVIÇO PRESTADO TÊM SIDO O GARANTE DE UM CAPITAL DE CONFIANÇA QUE HOJE JÁ FAZ TODA A DIFERENÇA»


A SATA encontra-se actualmente preparada para enfrentar os desafios do futuro. «Na SATA Internacional vamos sobretudo consolidar as apostas que fizemos em anos anteriores», garante Manuel Cansado. E já para 2006 assegura que, na SATA, «vamos continuar a insistir na formação e investir na melhoria do serviço prestado ao cliente final». E quanto à exploração de novas rotas, anuncia estar em preparação mais uma ligação à Europa do Norte e um reforço da aposta nos Estados Unidos. «Na SATA Air Açores vamos iniciar o processo de renovação da frota».

BIOGRAFIA
Manuel Cansado nasceu nos Açores a 8 de Março de 1951, no concelho da Ribeira Grande (ilha de São Miguel). Após frequentar o Liceu Antero de Quental, situado em Ponta Delgada, parte para o Continente.
Licenciado em Engenharia Electrotécnica, no ramo Telecomunicações e Electrónica pelo Instituto Superior técnico da Universidade Técnica de Lisboa, Manuel Cansado inicia a sua actividade profissional como professor do Ensino Secundário, leccionando durante sete anos. É em 1981 que ingressa no
mundo dos transportes aéreos, ao ser admitido nos quadros da ANA - Aeroportos e Navegação Aérea, para desempenhar as funções de técnico de telecomunicações aeronáuticas.
É quadro técnico da ANA - Empresa Pública até 1997, desempenhando as funções de chefe de divisão das Telecomunicações Aeronáuticas do Atlântico. Nesse mesmo ano, Manuel Cansado ingressa na administração da SATA Air Açores, da qual assume a presidência do Conselho de Administração, em 1 de Julho de 1997, cargo que ocupa desde então até à actualidade.














 

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