SEGURANÇA INFORMÁTICA NA INDÚSTRIA HOTELEIRA
A SEGURANÇA DOS SISTEMAS INFORMÁTICOS É UM TEMA altamente debatido em variadíssimas industrias, não sendo a
hoteleira uma excepção. Contudo, existem características
próprias do ambiente computacional de uma unidade hoteleira,
que fazem com que a politica de segurança informática tenha
algumas “nuances” que diferem das práticas correntes em outras
indústrias. Neste artigo procuramos, numa linguagem o
menos técnica possível, alertar o Director Hoteleiro para alguns
princípios básicos a ter em conta na elaboração de uma politica
de segurança dos sistemas de informação.
Em primeiro lugar importa definir o que é uma política de
segurança informática. Sumariamente a mesma considera-se o
conjunto de procedimentos empresarias e soluções tecnológicas
que visam garantir a privacidade, disponibilidade e fiabilidade
dos recursos físicos e lógicos que compõem a rede informática
da empresa.
No contexto da indústria hoteleira importa estender esse conceito
ao conjunto de medidas adaptadas com o intuito de garantir
a privacidade e segurança dos sistemas informáticos usados
pelos clientes quando os mesmos sejam usados a soluções de
conectividade disponibilizados pela unidade hoteleira.
Dois Cenários, Necessidades Diferentes
Até um passado recente a preocupação com a segurança dos
recursos informáticos abrangia exclusivamente os pertencentes
à empresa. No entanto a massificação dos sistemas de banda larga de acesso à Internet e os “Business Centers” transformaram
esta realidade. Nos dias de hoje todo o hoteleiro se depara
com dois cenários distintos dentro da sua propriedade. Se por
um lado temos a rede do hotel operada por funcionários do mesmo
e onde é fácil impor regras apertadas de segurança, no oposto
encontramos os serviços baseados em tecnologias de informação
que são disponibilizados aos clientes e nos quais é difícil,
mas fundamental, encontrar um equilíbrio entre funcionalidade
e segurança. Se por exemplo na nossa rede é fácil e indiscutível
restringir o acesso a plataformas de transferência de ficheiros
P2P como o Kazaa ou o Emule (cujo o risco para a segurança
é elevadíssimo) a aplicação da mesma regra aos nossos
clientes poderá provocar alguns atritos com os mesmos.
Desengana-se o hoteleiro que pense que é imune a problemas
se recorrer a sistemas operados por terceiros em regime de
“outsourcing” total. Se legalmente um contrato de serviço devidamente
elaborado o ilibará da responsabilidade legal em caso
de danos aos dados ou sistema do cliente o custo a nível de imagem
é inultrapassável. O cliente lesado não dirá que “o meu sistema
foi atacado ou infectado por causa do sistema do operador
X no Hotel Y“. Simplesmente propagará a mensagem que “no
Hotel Y o sistema não é seguro”.
As ameaças são primordialmente internas
Este é um dado exaustivamente documentado e comprovado.
Cerca de 80% dos danos provocados aos sistemas informáticos
tem origem em recursos internos à empresa. Este indicador não
procura de alguma forma lançar suspeição sobre os colaboradores.
Uma análise mais profunda tem revelado que as causas destes
problemas com uma origem dentro das paredes da organização
são primordialmente a negligência e a inexistência de procedimentos
formais na utilização dos sistemas informáticos.
Uma prática vivamente recomendada é que a responsabilização
dos colaboradores seja formalizada por um documento de
“Termos e condições de uso de Sistemas de Informação” que
deverá ser do conhecimento geral de todos os colaboradores da
empresa e se possível anexo ao contrato de trabalho.
Esta medida, alem dos benefícios legais, previne o argumento
da ignorância, que é muitas vezes usado, quando se detectam
situações graves que comprometem a segurança e a integridade
da estrutura de informação da empresa.
Embora não muito popular o autor tem como princípio básico
nas unidades que gere que os recursos dos sistemas informáticos
(incluindo os dados) são propriedade da empresa e a sua
utilização restringe-se às actividades de negócio. O uso dos
mesmos para actividades lúdicas ou de natureza pessoal deverão
ser erradicados pela responsabilização formal, implementação
de politicas de rede estritas e a monitorização da actividade
de todos os utilizadores (incluindo os quadros superiores).
Especialização
A segurança informática é uma área de grande especialização
e dificilmente os custos com um especialista dedicado na área
serão comportáveis para as unidades e grupos hoteleiros. No
entanto existem no mercado nacional excelentes empresas especializadas
em segurança informática e muitos dos operadores
de acesso Internet (ISP's) providenciam já serviços e soluções
de segurança. O conselho que o autor dá ao Director Hoteleiro é
que procure externamente a sua organização contratar serviços
desta natureza e que os mesmos sejam regularmente auditados
(sugere-se no mínimo uma auditoria semestral) de forma a verificar
a eficiência e eficácia das políticas em curso.
Análise de Risco, Mitigação e Contingência
Como já foi referido anteriormente, a segurança informática é
acima de tudo uma política empresarial que deverá ser sempre
iniciada por uma análise do risco e classificação da importância
dos variados recursos para a operação da unidade. Esta análise
poderá diferir de unidade para unidade mas é decerto que em
quase todas encontraremos o sistema de Front Office e a capacidade
de comunicação electrónica (E-mail e Acesso Internet) no
topo da lista.
A mitigação é alcançada por definirmos (usualmente em colaboração
com uma entidade especializada) as medidas a implementar
para assegurar a protecção dos recursos identificados
como críticos no passo anterior. Sem entrar em detalhes técnicos
deverão ser elementos a incluir.
• Segurança Física - Acesso a Servidores, Estabilidade e Redundância
da Instalação Eléctrica, Vídeo Vigilância;
• Actualização de Sistemas Operativos - Sendo uma das causas
mais comuns dos problemas de segurança importa assegurar
que os sistemas operativos (Windows, Linux, MacOS) estejam
sempre devidamente actualizados com as actualizações fornecidas
pelos fabricantes;
• Plataforma Antivírus - Este tipo de software deverá estar instalado
e permanentemente activo em todos os computadores
da rede e deverá ser actualizado diariamente. A execução de rotinas
de verificação (virus scanning) deverá ser efectuada com
uma periodicidade nunca superior à semanal. Tem extrema importância
no cenário actual que as mensagens de correio electrónico
sejam objecto de verificação;
• Firewalls- Um elemento a não dispensar de forma alguma
devendo dar-se preferência a dispositivos que usem um misto
de software e hardware para garantir que os acessos do exterior
da rede sejam apenas os devidamente autorizados e que o
perímetro esteja devidamente isolado da rede pública (Internet).
Adicionalmente deverão os postos que executem tarefas fora da
rede da unidade (laptops do departamento comercial, por exemplo)
estar equipados com uma firewall de software.
• Salvaguarda de Dados - Vulgarmente conhecidos como
“cópias de segurança” ou Backups estes elementos são o garante
da nossa capacidade de repor uma situação de operacionalidade
e normalidade no caso de uma situação anómala ter
lugar. Sendo variadíssimas as soluções disponíveis no mercado
e após algumas experiências negativas recomenda o autor que
se privilegie as soluções baseadas em discos em prol das baseadas
em tapes e que se considere vivamente a efectivação ou armazenamento
dessas cópias de segurança em local exterior às
instalações do hotel (offsite storage).
A contingência é conhecida na indústria das TI como disaster
recovery e deve incluir de forma documentada o conjunto de medidas
e a prioridade das mesmas a implementar no caso de a
disponibilidade dos sistemas de informação ser altamente comprometida.
Embora na indústria hoteleira a existência do local
esteja intimamente associada à continuidade do negócio deverão
os planos de contingência incluir medidas para eventos de
natureza extrema como incêndios ou desastres naturais que
causem uma destruição total ou de grande envergadura da unidade.
|
|